Resumo
Douglas revisou os vídeos da sessão onda por onda, durante uns 55 minutos. As ondas estavam pequenas, fracas e muitas fechavam, mas ele viu evolução em todos. Quatro ideias se repetiram para o grupo inteiro:
- O olhar leva a prancha. Olhar para onde você quer ir (o lip, a espuma, o alto da onda), nunca para a prancha nem para baixo. Virar o olhar antes da hora trava a manobra.
- Agachar. Quadril baixo e tronco ereto dão estabilidade: “podem me empurrar que eu não caio”. Em pé alto e com as costas caídas, qualquer movimento te derruba.
- Surf é velocidade. Descer até a base, subir de novo e não cortar no meio da onda. Quanto mais alto você sobe, mais velocidade a descida traz.
- Faça o que a onda pede, não o que você quer. Se a onda está gorda, cutback na espuma para recuperar energia; não é para forçar a manobra.
Além disso, Douglas avisou que vai cobrar mais: quer ver ondas finalizadas com manobras sólidas, mesmo errando no começo. E uma regra de segurança para todos: ao cair, proteger a cabeça, porque a prancha volta com força mesmo sendo soft.
Os minutos entre parênteses remetem à transcrição do áudio.
Plano para a próxima sessão
Cada um entra com um foco principal e uma frase para repetir na água. O aquecimento começa com drops na areia, sobretudo para o Rodo e o Carlitos.
| Surfista | Foco principal | Foco secundário | Frase para a água |
|---|
| Carlitos | Passar o peso para frente com a mão quando a prancha perde velocidade | Esperar a turbulência passar para se levantar | “Upa, tá indo de novo” |
| Ciro | Descer até o bottom antes de atacar | Virar olhar e braços para sair da batida | “Pensa lá na frente” |
| Juan | Mãos no centro no drop, pé entre as mãos | Subir depois da base | “Desci, cheguei na base, tenho que subir” |
| Rodo | Soltar a prancha no drop | Quadril baixo, tronco ereto, olhar para frente | “Sento e olho para onde vou” |
| Rodri | Não virar até o bico chegar no lip | Braço de trás | “De uma vez só” |
Logística
- Sessão curtinha "sem expectativas": sair às 14h para se mexer e estar em contato com o mar; se sair uma onda boa, saiu.
- Punta del Diablo fica a 1h16 e parecia boa para longboard. Ficou a ideia de planejar com calma pela manhã, assim como uma possível ida a La Moza (Santa Teresa).
- Previsão mencionada: vento norte para amanhã.
Surfistas

Carlitos
Carlitos tem a base perfeita, o que segundo Douglas é “o mais importante”. Hoje ele se levantou bem e já pegou a ideia. O próximo passo é mexer o peso para esticar a onda quando a prancha perde velocidade.
O que saiu bem
- Base perfeita e joelho para dentro. Douglas vai mandar o frame para ele enviar ao filho (27:49–29:48).
- Se posiciona bem, rema bem e encontra as ondas (32:06).
- “Subiu bem hoje” (41:03).
No que trabalhar
- Passar o peso para frente quando a prancha afunda atrás. Assim que sentir que perde velocidade, apoiar a mão na frente. Assim a prancha volta a subir e a espuma o leva um pouco mais (28:12–29:09, 41:03).
- Um pouco mais de remada e esperar antes de se levantar. Quando a onda o pega por trás, primeiro tem que deixar a prancha descer na frente. Na espuma tem muito ar e turbulência, “como no avião”; só quando isso passa a espuma empurra e é a hora de subir (32:06–32:54).
- Em ondas fracas, levantar antes. Se sobe tarde, a onda já passou (24:47–25:17).
Douglas o comparou com o Juan, que também começou dropando reto. O caminho é ir de lado na onda e depois começar a manobrar (33:31).
Carlitos →

Ciro
Ciro já manobra (batida e cavada de backside “animal”, “muito bonita”). O que o segura é o timing: corta a onda no meio e fica olhando a manobra em vez de sair dela.
O que saiu bem
- A batida entra perfeita (42:24).
- Bom drop e uma cavada de backside muito bonita; a onda fechou antes que ele pudesse finalizar (52:26–53:01).
- Quando está agachado, o joelho de trás está bem posicionado (19:20).
No que trabalhar
- Descer até o bottom. Corta pelo meio da onda, fica colado e sem espaço nem velocidade para atacar. Tem que descer até embaixo e depois atacar a parede, seja com batida, rasgada ou float. Instrução: “pensa lá na frente, pensa no que você vai fazer” (11:40–14:28).
- Joelho de trás fechado. Quando estica para dar velocidade, o joelho abre e ele não ataca. Tem que sair na mesma posição (19:20–20:12).
- Olhar e braços para sair da manobra. Depois de bater, virar o olhar para baixo e depois os braços. Ele fica olhando para trás e trava o movimento (42:24–43:00, 45:18–45:48).
- Bater mais em cima e mais agachado. Trazer a mão para frente e o quadril para baixo; assim sai mais água (17:52–18:37).
- Atacar antes quando a onda fecha. Usar o espaço que tem perto e não ir tão para frente (20:23).
Ciro →

Juan
O tema do dia foi o pé da frente no drop: cai atrás e muito perto do pé de trás. Douglas encontrou a causa nas mãos, e a onda de 48:45 já saiu melhor porque ele “vinha pensando no pé”.
O que saiu bem
- Se agacha, conecta a onda e sente a prancha correr. Sabe quando tem que subir para não parar (06:15).
- Melhorou o drop durante a própria sessão: boa posição e o pé no meio, embora a onda tenha fechado (48:45–49:01).
No que trabalhar
- Mãos no centro da prancha, não na borda. Na maioria dos drops segura a borda com uma mão. Isso deixa o pé de lado, em cima da borda, e ele não vê onde pisa. Com as duas mãos no centro, o pé entra entre elas, no meio da prancha, e dá para trabalhar dedão e calcanhar (46:32–48:18).
- Drop controlado e pensado. Com bota é muito difícil mexer o pé depois; para ajeitá-lo tem que estar bem agachado. A ideia na cabeça: “os pés o mais para frente possível” (34:10–35:02).
- Subir depois da base. Desce bem, mas sobe “quase nada”. A instrução: “desci, cheguei na base, tenho que subir”, olhando para o alto da onda e levando o corpo para lá. É um segundo, sem ficar parado (49:10–51:16).
- Subir mais alto para descer com mais velocidade. “Você desce 30%, poderia descer 100%” (08:07).
- Primeiras manobras. Olhar a espuminha para voltar para a onda e começar a somar manobra, porque já corre bem a onda (07:22–09:52).
Um colega acrescentou o bombeio: pisar atrás com força para subir, sem esticar totalmente (08:52). Juan também comentou que se sente pesado com a roupa de borracha.
Juan →

Rodo
Rodo pegou muitas ondas. O principal freio é um vício no drop: ele se levanta segurando a prancha, sobretudo com a mão direita. Douglas propôs corrigir isso em terra, com drops na areia no aquecimento.
O que saiu bem
- “Pegou bastante onda” (51:33).
- Ao se levantar, agachou e esperou, exatamente como foi pedido (26:14).
No que trabalhar
- Soltar a prancha no drop. Se levanta com as duas mãos e o pé apoiados, segurando a borda, e assim demora para subir. É um vício aprendido. O exercício: drops na areia durante o aquecimento, com o Juan, para memorizar o movimento novo (23:32, 26:14, 29:50–30:35).
- Remada. Faltaram duas remadas numa onda que dava para pegar. Ao remar não é para empurrar a prancha para baixo: ela tem que poder subir com a onda (29:50–32:06).
- Postura. Está alto e com as costas caídas para frente. Tem que baixar o quadril, “sentar”, e manter o tronco ereto. Douglas marcou isso como próxima meta (26:59, 40:32, 51:33).
- Olhar para frente, não para baixo. Para onde ele olha, a prancha vai (38:49).
- Na espuma, prancha de frente. Se vai de lado, a espuma derruba; de frente, ela empurra. Para dirigir a prancha, peso no dedão ou no calcanhar (35:31–37:15).
- Ao cair, proteger a cabeça (23:56).
Rodo →

Rodri
Rodri surfa com velocidade, estilo e o joelho para dentro, e completou duas ondas. Ouviu duas coisas várias vezes: vira antes da hora e o braço de trás fica pendurado. Douglas pediu que ele se arrisque a tentar mesmo caindo, para que as manobras saiam sólidas.
O que saiu bem
- Velocidade, bom olhar para atacar e boa cavada (00:46, 02:11).
- Surfou bem as duas ondas: “as duas melhores”, com o joelho para dentro e trabalhando a lateral do pé (10:13–10:30).
- Conectou duas manobras seguidas numa onda (14:47).
- “Está bem no estilo” na descida (53:10).
No que trabalhar
- Não virar antes. Ir com o olhar e a prancha até o bico chegar no lip, e só então trocar, de uma vez só. Lá em cima a onda não tem pressão e a prancha gira sozinha; no meio da onda, a massa de água te empurra e te derruba (00:46–03:13).
- O braço de trás. Douglas marcou em quase todas as ondas: “vamos ter que amarrar ele”. Rodri reconheceu que só se lembra às vezes (14:28, 44:52–46:09).
- Agachar na batida. Quadril alto e perna esticada fazem ele perder a prancha no buraco. Tem que levar a bunda até a prancha (14:47–15:32).
- Rasgada com o dedão, não com o peso atrás. Com o peso no pé de trás ele trava e perde velocidade. Olhando a espuma, carrega o dedão do pé e a prancha volta rápido (20:56–21:41).
- Em onda gorda, cutback na espuma. Não forçar uma rasgada em onda cheia: tem que voltar para a espuma, recuperar velocidade e esperar a próxima seção. Trabalhar cada vez mais a borda (22:06–23:07).
- Peito em direção ao bico na descida (53:10).
Rodri →